EDITE GALOTE CARRANZA
A tese "Arquitetura Alternativa-1956-1979" aborda uma vertente minoritária da arquitetura paulista que integrou a Contracultura brasileira entre 1956 e 1979. O eixo central do trabalho é a trajetória dos arquitetos Lina Bo, Sérgio Ferro, Rodrigo Lefèvre, Flávio Império, Eduardo Longo, Vitor Lotufo e Pitanga do Amparo. Constatou-se a singularidade de suas produções frente ao contexto hegemônico, analisando obras exemplares por meio de redesenhos e levantamentos in loco. Foram identificadas correspondências entre tendências internacionais contemporâneas e o debate de ideias e ideais que se expandiu para a cena cultural em áreas como música, teatro, jornalismo, literatura, artes plásticas e cinema.
A autonomia teórica e crítica, bem como o comportamento diferenciado desses arquitetos, configuraram um questionamento ao status quo sociocultural, à linha hegemônica da Escola Paulista Brutalista e ao Estilo Internacional. Os projetos da chamada Arquitetura Alternativa destacaram-se pelas soluções plásticas, pelo uso de materiais e técnicas construtivas vernaculares ou inovadoras, pelo repúdio à serialização e industrialização e pela busca de legitimação em interfaces multidisciplinares.
Assim, a Arquitetura Alternativa constitui uma produção à margem da hegemonia que, ao integrar a Contracultura brasileira, participou da Revolução Cultural e Contracultural vivenciada em diversos países ocidentais nas décadas de 1950 a 1970.