Sobre a cidade: um passeio pelo bairro de Perdizes

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As primeiras residências no bairro de Perdizes são uma constatação de que a cidade é complexa, descontínua e contraditória..

Estas casinhas geminadas são a imagem de uma arquitetura absolutamente desprovida de qualquer noção de concepção. Seu desenho parece ser guiado estritamente por

objetivos utilitários.

 

Na mesma quadra, vê-se um sobrado implantado em um terreno exíguo. Seu proprietário o construiu com base  em sua escala de valores. Como ocorre freqüentemente, o ecletismo deu forma a seu ideal de arquitetura

 

A cerca de cem metros encontramos um edifício alto-padrão. Sua imagem foi concebida para atender às expectativas de mercado.

 

Estes edifícios, com os mesmos objetivos, recorrem ao ecletismo pasteurizado;

 

Ao mesmo tempo, a cidade parece não se preocupar com sua imagem. Como neste caso, recortada por feixes de fios da rede pública;

Ou quando simplesmente desconsidera a relação entre gabaritos e tipologias;

Mas, se a cidade pode prescindir de um projeto, e a arquitetura também, como o desenho pode se constituir em um desígnio?

 

Esta é uma das esquinas em que a calçada se transforma em uma escadaria; inviável para idosos, deficientes físicos e visuais, ou uma mãe com um carrinho de bebê. Mas quem iria passear pela calçada em uma cidade como a nossa?

 

 

 

Um outro exemplo de desenho de escadas em calçadas. Nota-se a preocupação do comerciante que investe em iluminação de rua como chamariz para o seu negócio, mas, apenas, no trecho que lhe convém – a fachada voltada para a avenida principal.

 

Ainda seria possível re-humanizar a cidade?

Esta seção se propõe a divulgar questões sobre a cidade. Envie suas fotos e comentários.

    Edite Galote Carranza
    é mestre pelo Instituto Presbiteriano Mackenzie em 2004; doutora pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP em 2013 com a tese “Arquitetura Alternativa: 1956-1979”; diretora do escritório de arquitetura e editora G&C Arquitectônica e da revista eletrônica 5% arquitetura + arte ISSN 1808-1142. Publicações em revistas especializadas, livros Escalas de Representação em Arquitetura, Detalhes Construtivos de Arquitetura e O quartinho invisível: escovando a história da arquitetura paulista a contrapelo. Professora da graduação e pós-graduação da Universidade São Judas Tadeu.
      Ricardo Carranza
      Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, 2000, diretor do escritório de arquitetura e editora G&C Arquitectônica Ltda, editor da revista 5% Arquitetura + Arte e escritor. Publicações: Antologias de Concursos Nacionais – SCORTECCI, SESC DF; revista de literatura – CULT; sites de Poesia e Literatura – Zunái, Stéphanos, Germina, Cult - Ofi-cina Literária, Mallarmargens, O arquivo de Renato Suttana, Triplov. LIVROS: Poesia – publicados: Sexteto, Edição do Autor, SP, 2010; A Flor Empírica, Edição do autor, SP, 2011; Dramas, Editora G&C Arquitectônica Ltda., SP, 2012. Inéditos – Pastiche, 2017/2018; poesia... 2019. Contos – inéditos: A comédia dos erros, 2011/2018 – pré-selecionado no Prêmio Sesc de Literatura 2018; Anacronismos, 2015/2018; 7 Peças Cáusticas, 2018. Romance inédito: Craquelê, 2018/2019. Cadernos de Insônia (58): desde 2009. ARTIGOS publicados na revista 5% Arquitetura+Arte desde 2005.
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